Ela quase sempre estava apaixonada por ele. Quase sempre era fim de noite e ele estava deitado no sofá avaliando a economia do país. Ela não conseguia ouvir uma palavra de sua boca. Só imaginava o quanto era interessante ter alguém para aprender economia quando ela quisesse. Ela o encarava da mesinha do computador, com olhos desejosos e ele não ignorava. Ele sorria e pedia pra ela se ajoelhar. Ela se prostrava e adorava seu sêmen. E eles gostavam. E era doce, quase sempre.
O mundo era quase bom, os dias eram sempre péssimos.
Eles estavam quase sempre tentando fazer alguma coisa. Quase sempre não faziam nada. Trocar lâmpadas, lavar a louça, sorrir para parentes, pagar as contas.
Era uma desordem educada, que quase sempre dava em merda.
Quase sempre eles se odiavam. Ela agarrava-se nas pernas peludas de Getúlio pedindo clemência. e quase sempre ele a odiava nesse momento, mas não conseguia chutá-la.
Quase sempre ela o chutava.
- acorde. – dizia Cândice, ao se encolher entre os lençóis pálidos.
Quase sempre eles eram felizes e geralmente era domingo e fazia chuva. A cama, a ausência de roupa e as fotografias do álbum de casamento para ordenar.
Quase sempre eles davam certo.
Quase nunca eles se deixariam.
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