terça-feira, 3 de julho de 2012

vigésimo segundo fim pra nunca mais

as coisas vão acabando. não tem data certa nem hora marcada. mas elas acabam.
eu não preciso de um namorado. eu não preciso de um pau pra gozar. eu não preciso de um homem pra acender o fogo do meu cigarro. eu não preciso dar certo. eu não preciso dos seus conselhos. eu não preciso de você pra pagar minha vódeca. não preciso de você pra me dizer o quanto sou confusa. eu não preciso de você pra revirar meus atalhos. eu nem preciso de atalhos. eu não preciso revirar suas coisas pra saber dos seus atalhos. eu sei de tudo.vendo você assim, com os olhos vermelhos, eu não consigo ouvir seus gritos enquanto rasga minhas páginas. eu só consigo alimentar meu sorriso interno. você vai ficando sem mim pela metade. não preciso de você pra colocar palavras na minha boca. eu não preciso de palavras que não passaram pelo meu juízo. eu não preciso da sua lingua na minha garganta. eu não preciso do seu suor na minha saliva. eu não preciso. eu não preciso.
sou uma mulher com colhões.
eu tenho colhões.
eu não preciso de você na minha solidão.
eu não preciso querer mudar meu mundo por você.
eu preciso de alguém que mude meu mundo sem eu querer.

vigésimo segundo fim pra Nunca Mais. dois patinhos na lagoa - eu disse. você respondeu com "bingo."

- BINGO.

Nós nos conhecemos na janela e você logo falou sobre masturbação. achei tão improvável um homem tentar conquistar uma mulher falando sobre masturbação. eu tentei não precisar ouvir o resto da frase e ignorar, mas não consegui. depois de um cinema na quinta foi no boteco de quinta que você me beijou, eu tentei não precisar sentir seu cheiro mas não consegui. e você escreveu tudo isso. você me mostrou e logo eu estava precisando ler você. ler como você lia.
o mais adorável dos caras: com um sorriso sonoro inaudível e olhos muito densos. ora entendia tudo, ora se calava e fingia atenção.
eu pensei: preciso fugir daqui! chamem a minha mãe! melhor, chamem o táxi. chamem a polícia. os bombeiros. a energisa. são jorge. chamem um médico. meu psiquiatra! quero viloprex.
logo nos estávamos dividindo a vida.
dividir a vida não é se afogar no outro. não deve ser. dividir a vida sempre é se afogar no outro.
assim, ele roncava e eu aprendi a não ouvir.
eu gritava e ele aprendia a não ouvir.
ele era estupidamente idiota com um ciúme irremediável e eu aprendi a ignorar.
eu jogava os cinzeiros na parede e você sempre comprava mais.
as pessoas não mudam, apenas aprendem a se conter.


acabou de novo. acabou de novo. acabou de novo.

vigésimosegundofimpranuncamais.

agora as coisas estão cinzas e eu padeço de um tédio horroroso.
é triste saber que eu preciso precisar de você e não preciso.





Nenhum comentário:

Postar um comentário