"...E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que
nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando,
apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não
deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo
mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante,
nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria
que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles
todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles
cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As
garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em
seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o
que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com
vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma
metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar,
nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de
lavador de pratos.
Talvez eu pudesse ser um ladrão de bancos. Alguma porra. Alguma coisa
flamejante, com fogo. Você só tinha direito a uma tentativa. Por que ser
um limpador de vidraças?"
o velho safado favorito : Charles Bukowski
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