terça-feira, 13 de março de 2012

- MERDA.


é aquela sensação de antes da morte: um prazer absoluto em sentir-se vivo.
Todo mundo já se imaginou ou se imagina morrendo. A morte é um desejo interno que escorre como saliva entre os dentes.
Famintos. As pessoas se enxergam pequenininhas. Se observam com desdém querendo esconder suas inseguranças atrás de couro e marca. Como gados marcados para o abate.
A merda. Ela é o melhor o que você pode ser. Um pedaço de picanha suína cheia de hormônios. Ou a menstruação da galinha sem casca, cozida com agua e sal. O ciclo da merda, te leva a terra. Te faz feliz. A merda é boa. É bom ser merda.  
Aos poucos você não é o que você  pensa. Longe disso.  As coisas empacotadinhas em sachês descartáveis tem tanta importância que as roubamos ao sair de um motel fuleiro.
A vida descartável. O sêmen vai embora no lixo empacotadinha em sachês de camisinha. A camisinha é o sapatinho da cinderela do século xxi.
Você não ama. Só se acostuma com a razão persuasiva de precisar de alguém. Talvez você se acostume com o olhar de deus desgostoso ao te ver caminhar com vergonha de estar viva nessa vida de merda.
Você não é o seu emprego. Nem o que te resta na carteira. Não é o que você cheira. Não é o que você fuma. O que você come vira merda. Vira você. Você é a merda antes de sair de você. Porque sem ela, nem merda você é.
Então, quem é você?

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